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Disco    
   

Grupo: Anubian Lights
Título: Phantascope
Ano: 2004
Editora: Rhythm Bank
Formato: CD

Desde metade dos anos 90 que os Anubian Lights vêm a efectuar manobras de subversão sonoras, essencialmente construídas com base em dois tipos de matéria prima: a manipulação electrónica de ritmos e a fusão sem fronteiras de todos os géneros musicais. Nesta sua cruzada têm sabido acompanhar-se de artistas que têm não só enriquecido e expandido a sua abrangência musical, como também funcionam como molas impulsionadoras de novos processos criativos.

À cabeça de todos os nomes com quem têm colaborado surge Lydia Lunch, com quem gravaram «Champagne, Cocaine e Nicotine Stains» - um EP quente, apoiado na história do jazz para explodir para novas paragens - e para quem se revelaram fundamentais na reorientação da carreira, como está bem claro no recente «Smoke In The Shadows», um disco que serviu como pedra de toque na nova vida criativa da diva negra, e onde a sua responsabilidade foi muito para além do que é suposto para uma banda de suporte.

Em «Phantascope» a presença artística de Lydia não se faz sentir explicitamente, mas a sua atitude push it further acaba por ser uma influência notada, exactamente porque o brilhante resultado do anterior álbum «Naz Bar» (o seu 1º longa-duração) impulsionou e encorajou os Anubian Lights no sentido de percorrerem mais um ramo do percurso traçado, e que está marcado pelo conceito auto-imposto “anything can and will be possible, without limitation”.

À dupla fundadora Tommy Grenas (com carreira feita em grupos tão diversos como Swamprats, Pressurehead, The Brain, Zero Gravity, Farflung, Chrome e Damo Suzuki) e Len Del Rio (cuja notoriedade e abertura criativa já figuraram nos projectos Pressurehead, Space Ritual, Spiral Realms e Damo Suzuki) junta-se agora mais uma conspiradora: a incrivelmente eclética Adele Bertei (Peter & the Wolves, The Bloods, Culture Club, Tears for Fears, Matthew Sweet, John Lurie, the Pointer Sisters, Thomas Dolby, Sheena Easton, Elliot Sharp, the Aural Exciters, Lydia Lunch, James Chance and the Contortions e Arthur Baker - uff) vem agora adicionar ainda mais e mais vastas influências ao longo cardápio apresentado pelo mutante colectivo.

Em «Phantascope» assisitmos, boquiabertos, a exercícios de expansão de possibilidades criativas que compreendem explosões frenéticas de massas sonoras, vocalizações histéricas em devaneio, evocações ambientais de recorte arábico, rituais de iniciação a danças de salão, aulas de step e de aeróbica, insinuações melódicas de dimensão inter-galáctica, arritmias psicóticas e narcóticas, cambalhotas áridas no terreno minado do rock, incursões impensáveis em terrenos góticos, bandas sonoras para jogos de strip-poker, sombras e vultos de filmes policiais e doces embalos tropicais em camas de rede. Um verdadeiro quebra-cabeças de referências cruzadas, algumas de difícil reconhecimento, mas reunidas num todo cuja agregação ganha sentido pelo prisma do aventureirismo musical e na não-conformidade com géneros estanques.

Não sendo verdadeiramente uma surpresa, dado o trabalho iniciado em «Naz Bar», «Phantascope» imiscui-se nas referências a ter em conta na hora em que tentarmos perceber as marcas musicais que ficam do ano de 2005.

     
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