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Disco    
   

Grupo: Claudia Brücken + Andrew Poppy
Título: Another Language
Ano: 2005
Editora: There(there) Music
Formato: CD

Claudia Brücken e Andrew Poppy são velhos conhecidos. Ambos fizeram parte da importante constelação que, no início dos anos 80, notabilizaram a ZTT, de Trevor Horn, enquanto editora capaz de detectar e, quase, formatar projectos pop inovadores, cujo maior destaque recaía no uso da tecnologia enquanto veículo de produção musical.

Do conjunto de projectos que emergiram nessa vaga, a linha da frente foi de imediato ocupada por três nomes: Frankie Goes To Hollywood, The Art Of Noise e Propaganda. Neste último, de origem germânica, pontificavam duas vozes femininas: Suzanne Freitag e... Claudia Brücken. Ao mesmo tempo Andrew Poppy ganhava forma enquanto compositor neo-clássico apostado no uso da electrónica como ferramenta de trabalho.

Passados vinte anos é curioso notar que «Another Language» adopta uma direcção quase oposta. À novidade tecnológica de então contrapõe-se agora um disco simples, quase sempre articulado em torno da voz de Claudia Brücken e do piano electrico (às vezes guitarra) tocado por Poppy. A riqueza de orquestrações e tecidos sonoros a que este nos habituou foi substituída por uma singeleza de arranjos que têm como efeito imediato destacar a canção e o papel da cantora, que nunca antes se havia exposto de uma forma tão desnudada. Podemos assim compreender o sentido do nome do disco, dado que é de facto a primeira vez que ambos se dedicam a um projecto com estes contornos.

Mas esse não é o único aspecto em que a linguagem é nova. Uma vez que o disco é inteiramente constituído por versões, quase todas muito bem conseguidas, a novidade está na diferença adoptada na abordagem aos originais, que adquirem neste contexto algo de muito pessoal, emprestado pelos seus intérpretes.

É assim que nos cruzamos com temas consagrados, como «Running Up That Hill» (Kate Bush), «Broken English» (Marianne Faithfull), «Lipstick Vogue» (Elvis Costello), «Libertango» (A. Piazzolla) ou «Drive In Saturday» (David Bowie), mas também com outros que merceriam esse estatuto, como «Nice Dream» (Radiohead), «Breakfast» (Billie Mackenzie), «You Do» (McAlmont/Butler) e «White Noise Maker» (Frank Black). A lista completa-se com re-equações da erudição de Schubert «Die Nebensonnen» e Sriabin «Amsterdam 1896» e ainda com um tema popularizado por Elvis, «Wooden Heart».

Desta variedade resulta um álbum equilibrado pela abordagem adoptada, sempre num registo apaixonado de quem venera os originais e lhes quer prestar sincera homenagem. Mais do que um regresso saudosista de dois artistas dos '80, assistimos aqui a uma manifestação genuina de amor à canção e à arte de a saber re-interpretar.

     
   
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