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Disco    
   

Grupo: Querelle
Título: Querelle
Ano: 2005
Editora: Sink and Stove Records
Formato: CD

A receita não é nova, mas resulta sempre que é aplicada com as doses certas de irreverência, energia e, evidentemente, talento. Os Querelle apresentam-se ao mundo com um mini-álbum que emana essas duas qualidades em quantidades assinaláveis e ainda lhes acrescenta uma capacidade de criar melodias cativantes, envoltas num espesso manto de feedbacks.

Poderíamos pensar, no imediato, num trio italo-americano (segundo os próprios: «The line up currently consists of 2 cocks, 2 tits, 10 strings and 2 sticks») com muito em comum com os Blonde Redhead, ainda que com um talento não tão amadurecido e ainda à procura do seu próprio espaço de movimetação. O formato pop-rock é assumido na plenitude, com a entrega das operações à guitarra eléctrica, tão vibrante quanto melodiosa - com uma quantidade por vezes discreta outras vezes intensa de ruído associada - ao baixo que contorna as melodias e dá sentido posicional à estrutura das composições, e à bateria, que se assume como o contraponto rítmico que marca a posição de relevância dos Querelle. Esta formulação resulta particularmente feliz e equilibrada em «Sore», «Just A Song» e «Insect-O-Cutor» em que o contraste evervescente ruído-melodia mais se equilibra e onde a voz melhor encontra a forma de se integrar.

Os temas vagueiam entre o noise da fase mais pop (sem nunca o ser) dos Sonic Youth, a rudeza de processos de Steve Albini, a já referida capacidade melódica dos Blonde Redhead, e a amplitude elástica dos Radiohead (de «OK Computer», situe-se) enquanto criadores de ambientes quase épicos, marcados por muita densidade emocional.

No final da quase meia-hora que dura este registo de estreia, não conseguimos deixar de pensar nos Querelle como uma promessa que o futuro se encarregará de desmentir ou confirmar, mas que foi capaz de criar desde logo um punhado de canções que vale a pena ouvir.

     
     
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