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Disco    
   

Grupo: Luke Haines
Título: Das Capital
Ano: 2003
Editora: Hut
Formato: CD

Luke Haines é um músico que facilmente gera sentimentos contraditórios, muito por culpa da arrogância com que se afirma um dos melhores compositores pop-rock da actualidade, e um dos poucos que vale a pena ouvir, e da desfaçatez com que arrasa a concorrência e a indústria musical, considerada incapaz de ver um elefante a 2 mm de distância.

Foi a música de Haines e do seu projecto The Auteurs, relembre-se, uma das responsáveis pelo surgimento do fenómeno brit-pop, assim imediatamente catalogado pela imprensa musical britânica quando o seu álbum-estreia rasgou as fronteiras conhecidas da pop, com composições simultaneamente clássicas e amargas, carregadas de veneno, ironia e muita crítica social. Haines apressou-se a descolar dessa etiqueta que lhe colaram assim que percebeu que estava, erradamente, a ser metido no mesmo saco de grupos emergentes como os Oasis ou Blur, aos quais reconhecia tanto talento na composição como a um carro a forçar uma travagem. Os trabalhos seguintes dos The Auteurs evoluíram até ao ponto da obra-prima, chegada com «After Murder Park», um disco em que o imaginário pop de Haines se envolveu numa teia de cumplicidades com a produção suja de Steve Albini.

Para além dos The Auteurs, Luke Haines tem espalhado o seu talento único de compositor no one-off-project Baader Meinhof e ainda em dois discos em nome próprio, um dos quais imprescindível para se perceber como é possível manter-se absolutamente ardente a chama e o brilho da escrita pop e, ao mesmo tempo, avançar em terrenos desconhecidos, minados de escárnio, corrosão e acidez mordaz.

«Das Capital» é um exercício de auto-crítica e auto-indulgência praticado por Haines, ainda que distorcido pela sua incapacidade de ser juíz em causa própria. Neste disco dedica-se a criticar toda a sua obra, não só através da análise escrita a todos os seus trabalhos (Black Box Recorder excluídos), onde não hesita em proclamar a sua condição de talento incontornável, mas também através da procura de novos ângulos de visão para 12 temas recuperados da sua discografia, aqui revolvidos e retrabalhados ao ponto de surgirem por vezes irreconhecíveis. Mais do que nunca partiu em busca da perfeição pop e, se calhar mais do que nunca, ficou lá muito perto. As multiformes orquestrações com que revestiu estas novas interpretações conseguem, em simultâneo, tocá-las com um brilho intenso e dramático, e aumentar-lhes a carga demolidora da crítica social mordaz, o tom aziago dos lamentos, a grandiosidade das interrogações e a insuficiência respiratória da claustrofobia reinante.

Pode não se gostar de Luke Haines, pela sua pose e pela forma como escarnece de tudo e todos. Mas a verdade é que, mais forte e importante do que o indivíduo é a sua obra. E essa, muito provavelmente, já granjeou um lugar no Olimpo da pop. O reconhecimento dessa verdade pode ser que tarde, mas concerteza não vai faltar!

     
Temas   1. How Could I Be Wrong
2. Showgirl
3. Baader Meinhof
4. Lenny Valentino
5. Starstruck
6. Satan Wants Me
7. Unsolved Child Murder
8. Junk Shop Clothes
9. Michael Powell
10. Bugger Bognor
11. Future Generation
     
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- 21st Century Man | 2CD | 2009
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- Rock and Roll Animals | Digital | 2013
- New York in the '70s | Digital | 2014
- British Nuclear Bunkers | Digital | 2015
- Adventures In Dementia | Digital | 2015
   
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- Auteurs
- Baader Meinhof
- Black Box Recorder
     
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