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Disco    
   

Grupo: Static
Título: Re: Talking About Memories
Ano: 2005
Editora: city centre offices
Formato: CD

Static é a câmara de combustão criativa das ideias do berlinense Hanno Leichtmann que, após uma experiência como baterista de free-jazz, se tem dedicado à composição e ao trabalho de estúdio, estando ligado a trabalhos de John Zorn, Jan Jelinek, Pole, Lali Puna e To Rococo Rot.

É, assim, sem surpresas que assistimos a um respeitável leque de colaboradores que, com Leichtmann, edificaram este «Re: Talking About Memories». Ronald Lippok (To Rococo Rot e Tarwater) contribui com a sua voz distante para o ambiente gélido que se faz ouvir em «Return Of She». Christof Kurzman (colaborador de B.Fleischmann, Zeena Parkins, the Ex, Christian Fennesz, Scanner e Jim O´Rourke, entre outros) adiciona a quase totalidade das vozes, numa aproximação quente à arte de cantar pop, e processa um conjunto alargado de sons electrónicos e samples. Martin Siewert (Trapist e colaborador de Wayne Horvitz, Radian, Elliott Sharp, Ken Vandermark, Christian Fennesz, Martin Brandlmayr, Stefan Nemeth, ...) coloca a sua guitarra como elemento primordial na definição de texturas, através da execução de pequenos núcleos melódicos que se entrançam dissimuladamente em cada tema. Há ainda a voz de Lars Rudolph em «The Moon Had A Crack» que contrasta na sua elegância e tonalidade quase folk com as restantes vocalizações do disco.

A coerência interna de «Re: Talking About Memories» assenta, curiosamente, na alternância quase matemática entre sequências instrumentais ritmico-melódicas, com padrões texturados por electrónica e ruídos digitais, e canções pop que assumem o brilho nostálgico do formato clássico e o transformam segundo ideias próprias de renovação e recriação. São momentos de introspecção que se revestem de um auréola quase cinemática, mas que se projectam para lá do formato que está tradicionalmente confinado à electrónica downtempo, significando uma tentativa de aproximação a uma nova forma de preseguir a pop, com resultados muito interessantes em grande parte do disco.

À liberdade que Leichtmann traz da sua experiência no free jazz, acrescenta agora alguma disciplina clássica - também sublinhada por uma harpa que surge de vez em quando e faz questão de nos surpreender - e por estruturas de maior definição que fazem de «Point Of Hope», por exemplo, uma canção que bebe inspiração nos Velvet Underground e a processa digitalmente na tradição electrónica alemã, e de «Never Never», uma versão dos The Assembly, uma imersão na electro-pop dos anos 80 e sua refracção através de teclados e ritmos do novo milénio, bem ao estilo experimentado pelos Donna Regina ainda que em doses menos digitais.

Com tudo isto, podemos encarar «Re: Talking About Memories» dos Static como um pequeno mas firme passo no sentido da exploração de novas formas de, em cinco minutos, perpetuar uma textura melodiosa no imaginário colectivo a que chamamos música pop.

     
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