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Disco    
   

Grupo: Bitter Springs
Título: That Sentimental Slush
Ano: 2005
Editora: Harvey Records
Formato: CD

«That Sentimental Slush» é já o sexto álbum dos Bitter Springs (já ouviram falar deles?), um grupo que disco após disco nos entrega conjuntos abastados de preciosidades pop imperdíveis, mas que a sua condição de não alinhados com a indústria reduz à expressividade mínima do sussurro. Isto é, o simples facto de sucessivamente se expressarem em edições de autor tem impedido o mundo de se deleitar com a sua música verdadeiramente marcante e encantadora.

Congeminados na mente de Simon Rivers, um carteiro (sim, é essa a sua profissão normal) com uma perspicácia especial para escrever textos mordazes e para os emoldurar com belíssimas melodias pop, os Bitter Springs levam já mais de uma década a coleccionar elogios da crítica, mas a ver vetado o acesso aos principais meios de divulgação musical. Nasceram das cinzas dos Last Party, um projecto de meados dos anos 80 que já reunia os talentos de Rivers e de Daniel Ashkenazy, cujos dois álbuns encantaram John Peel e que serviram de banco de ensaios para o explendor agora atingido.

Na linha de sucessão directa de «Suburban Crimes Of Every Happiness», de 2002, «That Sentimental Slush» é um disco que impulsiona ainda mais alto o brilhantismo dos Bitter Springs, ampliando a sua abrangência sonora para incorporar um leque de influências insuspeito, e fazendo da escrita irónica e do humor negro um curioso e cáustico marco reflexivo acerca da vivência da meia idade no seio da classe média britânica, em que a juvenil militância rebelde se desvaneceu e se enfrenta a dura realidade de ver perpetuada a condição social dos antecessores, sem energia nem convicção para continuar a tentar revertê-la. Seguindo uma linguagem essencialmente assente na canção pop, notam-se incrustações rock e folk (de linhagem essencialmente celta) e mesmo de jazz. Esta adopção de uma linguagem-síntese de várias perspectivas musicais é feita de um modo harmonioso e com uma naturalidade tal que faz dos Bitter Springs um dos maiores talentos da escrita pop-rock actual, muitas vezes comparados aos Go-Betweens mas infelizmente ainda mais ignorados.

Para além dos excelentes préstimos da estrutura criativa, este novo disco dos Bitter Springs abre-se ainda às colaborações de Glen Johnson (Piano Magic), Ollie Cherer (Dollboy) e da lenda Vic Goddard (Subway Sect). Mas, mais do que os nomes envolvidos, importa escutar a música que se desprende sublime de «That Sentimental Slush» e olhar para este disco como um objecto precioso, gerado no seio de um espírito verdadeiramente criativo, capaz de se manter à margem de qualquer pressão da indústria e da lógica subjacente aos circuitos comerciais. Um disco que, arricamos, possivelmente contém algumas das melhores canções pop que vamos ser capazes de ouvir durante muito tempo. Pelo menos até à próxima criação dos Bitter Springs...

     
Temas   1. Attempted Life
2. Moving to the City
3. King and I
4. Euro for Them
5. Gathering Dust
6. Snip
7. Paedophile Island
8. Thee Idiots Computing
9. Miles Away
10. City of Glass
11. Incredible Shrinking Globe
12. Beautiful Things
13. Music It's a Young Mans Game
14. End of Us
15. Forget About It All
16. I'll Get This for You Butler
17. Follow Your Heart
18. Ice Cold Glass
     
Outros discos do mesmo artista / grupo   - Absense Makes The Hair Grows Blonder | CDS | 1996
- Five Die Filming This Lazy Lark | CD | 1998
- Benny Hill's Wardrobe | CD | 1999
- Suburban Crimes Of Every Happiness | CD | 2001
- Poor Trace EP | CD | 2006
- Firm Family Favourites EP | CD | 2006
- And Even Now | CDS | 2009
- TV Tears | CDS | 2010
- My Life As A Dog In A Pigsty | CDS | 2010
- Snowflakes In June | CDS | 2011
- Gary Glitter Fan Convention | Digital | 2011
- Cuttlefish & Love's Remains | CD | 2015
   
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