A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z | 0-9
Disco    
   

Grupo: International Peoples Gang
Título: Action Paiting
Ano: 2006
Editora: em:t records
Formato: CD

«Action Painting» é o 2º álbum de originais dos International People's Gang, uma dupla britânica, de Nottingham, cuja estreia aconteceu já em 1995. Mas este hiato editorial não se deveu à inactividade de Martyn Watson e Ric Peet! As suas funções de produtores e engenheiros de som têm originado uma dispersão da sua criatividade por diversas áreas de expressão musical, traduzida num intervalo de onze anos até encontrar disponibilidade para registar um conjunto coeso de temas em nome colectivo.

As pinturas sonoras a que os International People's Gang se dedicam neste disco têm por fulcro um dinamismo interactivo que resulta da sua tomada de qualquer som como matéria-prima passiva de utilização no seu processo de elaboração musical, em que o recorte, a combinação e a colagem são os procedimentos recorrentes. Isto sem quaisquer preocupações quanto à proveniência de cada partícula sonora que usam como combustível criativo. Daí que as colagens de momentos sonoros dispersos funcionem como o adorno subtil dos temas, que se vão estruturando em diferentes níveis de audição, possibilitando a escuta de diversas narrativas musicais que ocorrem em paralelo. É assim que se revelam progressivamente elementos que à primeira audição lá não se encontram, desde ruídos de animais a barulhos mecânicos, passando por locuções de noticiários. Tudo é benvindo! E estes adornos cumprem um papel importante na criação de imagens desfocadas, resultado do seu arremesso numa tela idiossincrática elaborada à base de instrumentação electrónica e dos salpicos resultantes do impacto causado por aquelas matérias-primas pilhadas.

Aquilo que os International People's Gang nos oferecem em «Action Painting» apresenta uma imprevisibilidade interessante, não só na forma como cada tema se revela enquanto unidade autónoma de experimentação e construção melódica, mas também no modo como o próprio disco está sequenciado. De facto a sua audição não acontece de um modo linear, uma vez que a temas completamente estruturados sucedem invariavelmente interlúdios de duração mais curta, mas que se afirmam como derivas criativas que apontam claramente para direcções futuras. Ou seja, a formulações que conseguem em simultâneo fundir fragmentos de groove, dub, downtempo, shoegaze, psicadelismo ou mesmo música soul, sucedem-se vírgulas aparentemente anárquicas mas que se cuidadosamente escutadas revelam uma interessante plenitude de intenções. Deste dinamismo nasce um disco baseado em tecnologia, mas com um duradouro prazo de validade.

A mestria de estudio de Watson e Peet nota-se de sobremaneira no modo como de toda a aparente anarquia formal consegue obter-se um produto musical eclético, pleno de sentido e personalidade, mas também capaz de proporcionar momentos de audição muito agradáveis, porque é surpreendentemente melódico. E esta simbiose entre o audível e uma atitude arty de exploração sonora é um raro acontecimento!

     
Temas  
1   This One (6:02)
2   Stretch (4:06)
3   AC Harmonics (5:18)
4   Myopic (2:43)
5   Waiting Room (1:41)
6   That Time Already? (7:20)
    Co-producer - Roger Watson
  Strings - Tom Bailey
7   Fireworks (4:15)
    Vocals - Anne Papiri
  Written By [Lyrics] - Christine Watson
8   Polite State (1:53)
9   Shimmer (3:49)
10   Mornin' (6:27)
    Viola - Helen Maltby
11   Interval #7 (0:58)
12   Granny Takes A Trip (5:42)
    Synthesizer - Simon Mills
13   Stop (6:38)
    Vocals - Katty Heath
     
     
www.rum.pt www.sensoria.pt