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Disco    
   

Grupo: Coloma
Título: Dovetail
Ano: 2006
Editora: Klein Records
Formato: CD

«Dovetail» é o terceiro álbum da linhagem iniciada pelos Coloma em 2002, com «Silverware», e cuja segunda peça garantiu a esta dupla o prémio do júri no Qwartz Electronic Music Awards e ao seu álbum «Finery» (de 2003) uma honrosa nomeação na categoria Descoberta. Com este entorno, podemos ser tentados a antecipar a sonoridade de «Dovetail» como sendo dominada pela electrónica e pelo laptop. Puro engano! Se o fizermos corremos o risco de passar ao lado de um óptimo disco de música pop, em que o elemento humano é o ingrediente primordial, impregnando de sensibilidade e mestria as texturas sonoras de um grupo que foi capaz de se re-inventar.

Esta redefinição dos parâmetros musicais dos Coloma passou exactamente pela busca da humanização da sua música, contando agora com um conjunto respeitável de músicos enquanto garantia de expansão de sonoridades e redução da dependência da instrumentação electrónica. Ao núcleo do projecto, constituído pelos britânicos Rob Taylor e Alex Paulick, agora residentes em Colónia, na Alemanha, juntam-se N. Churn e Thomas Klein (dos Kreidler), Christoph Clöser (Bohren und der Club of Gore), Morris McTear, Gabriele Jüttner e uma secção de metais. Isto completa a capacidade criativa de Taylor e Paulick com a sofisticação de instrumentos que vão desde os pianos e grand-pianos, orgão e sintetizadores, passando por sopros e vibrafone. Paulick encarrega-se de retalhar digitalmente todas essas contribuições e refazer um puzzle musicalmente eloquente, subjugado à voz dominadora de Taylor - entre Roddy Frame e Paddy MacAloon - e às suas letras metafísicas.

As canções que se podem ouvir em «Dovetail» traçam um curioso croquis, em que se explica o caminho mais eficaz - não necessariamente o mais directo - para unir os trilhos da synth-pop com o crooning e a soul, e ainda com a electronica downtempo e alguma aleatoriedade do swing-jazz. A guiar os pontos deste percurso está uma interessante sensibilidade para sintetizar todas aquelas linguagens num todo coerente e ainda uma elegância de arranjos cujos excessos de limpidez foram cuidadosamente evitados para garantir um nível alto de curiosidade em torno de cada peça pop aqui explorada.

Dois anos após terem forçado a comunidade ligada à música electrónica a olhar para si como um talento com elevado potencial de explosão criativa, os Coloma surgem com um disco que, numa direcção completamente diferente, confirma as suspeitas de quem lhes antecipou um talento capaz de se demarcar dos demais, mas agora situando-se em coordenadas musicais com maiores probabilidades de encontrar um reconhecimento público mais abrangente.

     
   
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