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Disco    
   

Grupo: The Year Of
Título: Slow Days
Ano: 2006
Editora: Morr Music
Formato: CD

No seio do eceltismo musical que se respira em Viena, entre recortes de classicismo e afirmações de vanguarda, foi gerado o ensemble The Year Of. Uma espécie de constelação do universo Morr Music, o que para os conhecedores deverá ser elucidativo do poder criativo que se espera de tal proveniência.

«Slow Days» é a brilhante abordagem pop do quinteto constituído por Bernard Fleischmann (bateria, electrónica e piano), Christof Kurzmann (voz e sopros), Burkhard Stangl (vibrafone e guitarra), Martin Siewert (guitarra e steel-guitar) e Werner Dafeldecker (baixo eléctrico e acústico). Músicos que já provaram em vários quadrantes possuírem a flexibilidade e a técnica necessárias para que a surpresa seja uma constante a cada nova proposta sua. Mas neste caso o espanto é maior, porque nunca tinham apresentado uma abordagem musical tão directa, polida, melódica e... pop.

É, de facto, a matriz da canção pop-rock que traça a linha geral deste álbum, carregado de eloquência nos arranjos e simplicidade nos processos. É perfeita a simbiose entre os diversos elementos permanentemente em jogo, segundo uma dinâmica dialógica que os faz aparecer e desaparecer nos momentos exactos, para que só estejam quando a sua presença adquire significado. Tudo faz sentido naquela tela de cores pastel, em que as matrizes melódico-instrumentais, de fino recorte e fluência jazzy, com ventos soprados de Chicago, são acariciadas pela íntima voz de Kurzmann, que evoca o recorte tímbrico de Lou Reed.

Estamos assim perante um disco aberto. Não porque constitua uma novidade estilística em absoluto (o que seria difícil, actualmente, no contexto pop), mas pela refrescante tentativa de abordar a perfeição pop segundo um background de experimentação electrónica, aqui bem subalternizada por um conjunto orgânico de intrumentos que permitem perspectivas simplificadas de algumas das complexidades estruturais já congeminadas individualmente por cada um dos músicos deste colectivo, nunca antes tão comprometidos com semelhante abordagem. Como se pode ouvir em «About»: "don't get me wrong, it's just a song about a girl i knew". E a pop é isto mesmo!

     
   
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