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Disco    
   

Grupo: Think About Life
Título: Think About Life
Ano: 2006
Editora: Alien 8 Recordings
Formato: CD
Obs: Distribuído por Vortex

É cada vez mais notório o pulsar criativo da cidade de Monréal, no Canadá, que revela progressivamente um conjunto alargado de talentos musicais por explorar. Naturalmente que há os líderes e os seguidores, como sempre, mas entre os que nada mais fazem do que aproveitar-se do hype e aqueles que contribuem efectivamente para que ele seja uma realidade, a distância é abissal. Os Think About Life, por saberem esticar os limites das configurações conhecidas da música pop até um ponto até aqui longe de ser tocado, merecem claramente um lugar de sólido destaque entre os que deixam o talento sobrepor-se à moda.

Na música dos Think About Life coexistem vários elementos que conferem interesse artístico e musical àquilo que fazem. Por um lado revelam um entusiasmo jovial e genuíno, que rivaliza com a tonalidade inocentemente épica e imberbe dos The Go-Team. Por outro experimentam o gozo de trilhar novos caminhos, anteriormente apontados pelos subúrbios urbanos de gente que gravita na Anticon e faz do reprocessamento do hip-hop a linha de força da sublevação musical que empreendem. Finalmente, utilizam uma estratégia frenética de agitação que não deixa de ser punk na atitude - que não na musicalidade - e que refaz toda a estruturação rítmica com os fragmentos do caos por si criado com a destruição e inversão dos pressupostos, já de si transviados, do breakbeat.

É por isso que ao longo de todo o disco que marca a estreia dos Think About Life, cujo crescendo de popularidade se explica simplesmente com o recurso ao word of mouth - o mais pop dos fenómenos - podemos confrontar os nossos conceitos de música de dança, nas suas diversas variantes, e perceber que a sua proposta é uma simbiose entre melodias fáceis, ainda que estranhas, a urgência ditada por teclados ruidosos e estridentes, e a dissimulação de vocalizações, submersas em efeitos distorsivos que lhe sublinham o carácter de imediatez. Uma espécie de Arcade Fire esquizofrénicos, de batimento cardíaco rápido e desregulado, mas suficientemente lúcidos para que a sequência lógica intrínseca a cada tema, ainda que subvertida, consiga permanecer à tona da fina linha que divide a busca de alternativas credíveis com recurso ao património histórico, e a atitude primária de destruição de pressupostos na esperança que, depois da poeira assentar, algo se há-de safar e poderá assemelhar-se a uma afirmação artística.

Depois de tudo o que foi dito, resta dizer que perante um disco como este, que abre amplas janelas sobre o futuro e rasga possibilidades de trabalho para os tempos imediatos, a atitude de quem faz da pesquisa sonora uma paixão só pode ser uma: a rendição!

     
     
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