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Disco    
   

Grupo: Scott Walker
Título: Drift
Ano: 2006
Editora: 4AD
Formato: CD

Onze anos depois de «Tilt!» Scott Walker regressa da reclusão sabática a que se submeteu, pela segunda vez na sua longa carira - numa ânsia de perfeccionismo inatingível - e arrasta-nos arrebatadoramente até «Drift», um disco em que um turbilhão incompreensível de emoções densas, escuras e profundas, tornam difícil a tarefa de manter o discernimento entre o que se deve ao génio e o que se deve ao psicopata!

É num envolvimento estranho que se joga toda a dinâmica de «Drift», colocada com mestria entre dois pólos. Por um lado a melancolia dolente que resulta da tradução musical de uma dificuldade crónica que Scott Walker tem de encontrar o seu lugar no mundo e que aqui se pode sintetizar no tom agoniado e agonizante com que canta «I am the only one left alive». Por outro, existe uma tensão permanente, criada por miniaturas rítmicas produzidas por pequenos ruídos meticulosamente colocados no seu específico lugar, de modo a manter em alta os níveis de ansiedade de quem escuta esta música que se estranha, mas que ganha progressivamente espaço num subconsciente fantasmagórico que desconhecíamos possuir.

Em «Drift» não há espaço para qualquer tipo de configuração pop. Não há a mínima concessão à facilidade melódica ou ao refrão, ou ainda à necessidade de tornar a sua audição agradável. É apenas o disco que Scott Walker quis demorar 11 anos a fazer, decantando por um prisma desfocado um abastado conjunto de obcessões. Que assim resultam em canções que não têm aparente estrutura, mas revelam um trabalho quase paranóico de distribuição pormenorizada de todos os seus elementos, desde a voz poderosa mas quase sempre assustadora de Walker, à intensa e assíncrona orquestração, que só ganha sentido neste universo paralelo cuja tentativa de compreensão está provavelmente destinada ao fracasso.

A única possível chave de leitura que abre uma chance de aproximação a «Drift» é o abandono cego - diria mesmo de olhos bem fechados - às fortes emoções que o perpassam, que arrastam consigo uma míriade de repugnâncias viscerais e paixões lancinantes, fazendo deste disco uma obra prima que, para justificar em pleno a sua condição de objecto único, se sujeita ao ódio mais profundo ou ao amor mais irracional. Pela parte que me toca, deixo-me levar pela irresponabilidade do segundo!

     
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