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Disco    
   

Grupo: Girl Talk
Título: Night Ripper
Ano: 2006
Editora: Illegal Art
Formato: CD

O terceiro disco de originais de Gregg Gillis, DJ de Pittsburgh que dá corpo ao projecto Girl Talk, dispõe-se fatalmente ao risco de ser alvo de combate legal com muitas editoras e músicos, que poderão alegar um uso abusivo de inúmeros samples não autorizados das suas músicas ao longo de cada segundo de «Night Ripper».

A estratégia de Gillis é a de autêntica guerrilha contra a indústria discográfica, arremessando ironicamente a esta o seu próprio produto comercial e fazendo tábua rasa do cumprimento das regras de respeito pela criação alheia. Mais ainda: faz questão de dar o peito às balas ao listar na contracapa dos disco todos os artistas que usou como fonte na confecção de «Night Ripper». E são mais de 160!! Para identificar apenas alguns cuja silhueta sonora reconhecemos, referimos os nomes de Pixies, Nine Inch Nails, Sonic Youth, Breeders, Nirvana, Santana, Phil Collins, Fleetwood Mac, Folk Implosion, Public Enemy, Britney Spears, 50 Cent, Black Eyed Peas, Neutral Milk Hotel, Notorious B.I.G., Elton John, Smashing Pumpkins, Pavement, Michael McDonald ou Beatles.

Esta técnica é a mesma utilizada por 2 Many DJs ou, com ligeiras inflecções, por DJ/Rapture. Na sua essência encontra-se o sampler enquanto artefacto de pilhagem de sequências, ritmos, ruídos, coros, refrões, riffs, linhas melódicas ou batidas que são confiscadas para o seu universo frenético de colagens taquicárdicas. Essa mistura, muitas vezes explosiva, resulta quase inexplicavelmente num clipping escaldante, mas pleno de articulação, de pedaços da história da música dos últimos 40 anos, que se atropelam num turbilhão de fluxos sonoros fragmentados, mas de cuja leitura resultam verdadeiras esculturas plásticas de puro gozo e diversão, onde o contorno mais definido é a da silhueta de um rapper. Tudo em nome de uma febre de sábado à noite que consegue conciliar a dança com uma espécie de restolho industrial dos desperdícios de uma indústria trituradora, que assim se vê desafiada no seu próprio terreno, quase sendo convidada a entrar num jogo de esconde-esconde, não fôra dar-se a provocação do gato ter propositadamente deixado o rabo de fora.

É assim que ao longo de todo o disco julgamos a cada dez segundos reconhecer o tema que estamos a ouvir, para logo de seguida estranharmos o curso melódico daquela torrente sonora que desagua em delta e nos confunde a cada dique ultrapassado. Não há pop, rock, punk, r&b ou rap! Há, isso sim, uma contínua indefinição que desafia qualquer rótulo, já que em curtos espaços de tempo se apropria de todos eles e os esmaga estrondosamente uns contra os outros.

Em «Night Ripper», não inocentemente gerado no seio da editora Illegal Art, Gillis solta sonoras gargalhadas e diverte-se a subverter todo o respeito devido aos criadores e aos seus direitos sobre a sua criação. A indústria tem a próxima palavra que, a existir, levantará sérias dúvidas acerca de quem vai rir melhor!

     
Temas   01 Once Again (2:40)
02 That's My DJ (2:08)
03 Hold Up (2:50)
04 Too Deep (2:29)
05 Smash Your Head (3:01)
06 Minute by Minute (3:12)
07 Ask About Me (2:26)
08 Summer Smoke (2:17)
09 Friday Night (3:12)
10 Hand Clap (1:53)
11 Give and Go (2:53)
12 Bounce That (3:23)
13 Warm It Up (2:15)
14 Double Pump (1:45)
15 Overtime (2:15)
16 Peak Out (3:20)
     
Outros discos do mesmo artista / grupo   - Feed The Animals | CD | 2008
     
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