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Disco    
   

Grupo: Erik Friedlander & Teho Teardo
Título: Giorni Rubati
Ano: 2006
Editora: BiP_Hop
Formato: CD
Obs: Distribuído por Matéria Prima

«Giorni Rubati» é o disco que reúne dois músicos talentosos e de destacado currículo em torno da poesia de Pier Paolo Pasolini, materializando-a em cascatas sonoras de plangente musicalidade e enigmáticos ambientes.

Erik Friedlander é um violaocelista reputado, com formação clássica, que se desenvolveu tecnicamente tocando em várias orquestras da Broadway e contribuindo para a sonoridade dos discos de Laurie Anderson, Courtney Love ou John Zorn. Mas foi no jazz que encontrou o seu berço de autonomia artística passando a ser reconhecido como um dos músicos mais evoluídos, imaginativos e abertos no uso do seu instrumento de eleição.

Teho Teardo, apesar de em nome individual não ser muito reconhecido, é uma força criativa e especialmente versátil para que possa ser redutoramente enquadrado num género musical específico. Fundou os M.T.T., com os quais colaborou com os muito experimentais e místicos Nurse With Wound e Ramleh. Liderou depois os Meathead, com os quais estabeleceu laços criativos com inúmeras bandas vincadamente fora das regras, entre as quais os Cop Shoot Cop e Zeni Geva. Quando deixou a sua Itália natal e foi para Birmingham, no Reino Unido, radicalizou ainda mais o discurso musical gerando um disco a meias com Mick Harris (Scorn, Napalm Death) num projecto denominado Matera. Um ano depois rumou a Nova Iorque para, no intervalo das suas colaborações com Lydia Lunch, arranjar tempo e energia para, com Jim Coleman (dos Cop Shoot Cop) formar os Here e fazer de «Brooklyn Bank» uma das melhores recordações musicais de 1997. Segue-se novo projecto, agora com Scott McCloud (dos Girls vs Boys), ao qual chamou Operator, cruzando electrónica, pop e rock. Das suas deambulações e explorações electrónicas nasceu um novo vector criativo, chamado Modern Institute, cujo álbum estreia ocorreu em 2006. Neste mesmo ano, com Erik Friedlander, editou este «Giorni Rubati».

No epicentro deste disco encontramos o feliz e criativo confronto, por vezes violento e fracturante, entre os discursos do violãocelo de Friedlander com a manipulação electrónica de Teardo. Uma dialogia electro-acústica que mistura uma certa perigosidade melancólica em latência e a projecta, em movimentos circunspectos, contra um chão rugoso de texturas digitais, quase sempre de contornos dinâmicos e fugidios. Aqui e ali ouvem-se palavras evocativas, possivelmente de Pier Paolo Pasolini, a darem sentido lírico a estes poemas sonoros que, porque estranhos e pouco convencionais, acabam, se lhes for concedido tempo para isso, por emergir fatalmente como substâncias sonoras viciantes, pouco dadas a rotulagem e a concepções meramente oníricas da criação musical.

É assim, no meio de ambientes tensos e de profundo mistério, por vezes quase medo, que «Giorni Rubati» se afirma como um disco de notável arquitectura, em que o espaço para a surpresa acontece amiúde e a constante cumplicidade espásmica dos seus autores, o tornam num exercício de quase improviso, também na audição, implicando irremediavelmente quem o escuta neste processo assertivo de alternativa estética.

     
   
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