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Disco    
   

Grupo: Gudrun Gut
Título: I Put A Record On
Ano: 2007
Editora: Monika Enterprise
Formato: CD

Gudrun Gut iniciou-se em movimentações artísticas na segunda metade dos anos 70, fazendo parte de uma encarnação prévia daquilo que viriam a ser os Einsturzende Neubauten e tomando Berlim pelas entranhas com a ferocidade feminina e a atitude afrontadora dos três projectos que encabeçou durante a agrura dos anos 80: Mania D, Malaria e Matador. Desde o início da década seguinte que começou a interessar-se pelo computador enquanto instrumento musical, apurando a sua competência como produtora e engenheira de som, e dedicando-se ainda à fina selecção de manifestos estéticos que conseguimos encontrar na editora Monika Enterprise, onde sucessivamente se vai percebendo a sua rara capacidade para descobrir artistas inovadores, com sangue criativo dominado pelo pulsar da electrónica.

Com todo este património de irreverência e busca de novas configurações musicais não seria de esperar da sua estreia a solo uma qualquer frivolidade menor. «I Put A Record On» não só se encarrega de confirmar essa suspeita, como supera mesmo as melhores expectativas. O caldo rodopiante preparado por Gudrun Gut articula um largo espectro de influências e produz uma entidade musical inexplicável, que apresenta uma matriz de sedução e provocação semelhante à de uma língua espetada num ouvido, deixando assim o interlocutor incauto sem perceber qual a melhor forma de reagir a esta música que incomoda, mas cujo calor, proximidade e promessa de prazer aconselham a esperar para ver. Mas sempre com uma delicadeza desconcertante e uma assertividade que baralha conceitos anteriores de estética, ordem e caos.

É assim que neste disco encontramos o swing e o rap, a música industrial e e folk, o disco-beat e o punk, o tango e a polka, o dub e a pop, o techno e a música negra, o minimalismo e a hipnose, numa estranha e dispersa agregação de géneros e linguagens, que tanto vagueiam em linhas paralelas como se cruzam em insinuações improváveis. Também encontramos a coragem de pegar em «Rock Bottom Riser», original imaculado dos Smog, e conceder-lhe uma nova vida, distante do bucolismo original, impregnando essa canção com a mesma atitude de experimentalismo sapiente que é continuamente revelada ao longo de «I Put The Record On» e demonstrando na prática que a electrónica tem a dose de humanidade que os criadores lhe forem capazes de adjudicar.

     
Temas   1. Move Me
2. Rock Bottom Riser
3. The Land
4. Cry Easy
5. Girlboogie 6
6. Blätterwald
7. Last Night
8. Sweet
9. Pleasuretrain
10. The Wheel
11. Tip Tip
12. Celle (Video)
     
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