A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z | 0-9
Disco    
   

Grupo: Magik Markers
Título: Boss
Ano: 2007
Editora: Ecstatic Peace!
Formato: CD
Obs: Distribuído por AnAnAnA

Com uma reputação de agitadores noisy gerada por um punhado de edições em CD-R cruas e violentas, os Magik Markers chegam agora ao primeiro álbum gravado para uma editora "propriamente dita", depois de um processo de cisão interna que levou à saída da guitarrista Leah Quimby e à re-equação de algumas das linhas de força da sua construção sónica.

Com efeito, onde até aqui existia o caos criado pelo arremesso brutal de ruídos de feedbacks contra distorções tribais em busca da total liberdade formal, começa a existir alguma ordem e uma aproximação vertiginosa ao formato canção, mesmo se imerso em intrincadas teias de irreverência herdada do punk e da adopção do ruído como opção estética primordial, em cima da qual se equacionam e se questionam as fronteiras tradicionais da construção do rock.

À anarquia sucede um velado controle das movimentações descritas pela guitarra e voz de Elisa Ambrogio e pela turbolenta catárese rítmica da bateria de Pete Nolan. Notam-se, assim, frases melódicas que se desenvolvem em círculos confusos e desconexos, mas ainda assim carregadas de densidade dramática e potencialidade narrativa, que sobressaem por entre as fendas que se abrem nas estruturas ruidosas que fornecem o plano contra-picado que amplifica o enquadramento envolvente da sonoridade dos Magik Markers. Um plano que, se em zoom-out, deixa perceber que na sua vizinhança habitam as experiências de art-noise realizadas pelos Sonic Youth nos primeiros 10 anos da sua carreira (que curiosamente os levou a encontrar a canção rock perfeita) e a energia descontrolada da no-wave.

Apesar de tudo isto, há também espaço em «Boss» para a acalmia, revelada a espaços, em momentos que confrontam a agressividade crua dos temas de maior descarga eléctrica, com a tensão musical controlada em panelas de pressão, cujo quase-silêncio manifestado deixa perceber a dimensão escaldante da ebulição interior.

Um disco de rock amargo, estimulante e desafiador.

     
Temas   1. Axis Mundi
2. Body Rot
3. Last of the Lemach Line
4. Empty Bottles
5. Taste
6. Four/The Ballad of Harry Angstrom
7. Pat Garrett
8. Bad Dream/Hartford's Beat Suite
9. Circle
     
Outros discos do mesmo artista / grupo   - Surrender To The Fantasy | Digital | 2013
- Let Me Die In Connecticut So God Knows Whe... | Digital | 2014
     
www.rum.pt www.sensoria.pt