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Disco    
   

Grupo: Our Brother The Native
Título: Make Amends For We Are Merely Vessels
Ano: 2008
Editora: Fat Cat
Formato: CD

Quando, em 2005, os Our Brother The Native editaram o seu primeiro álbum, «Tooth & Claw», os seus membros contavam as tenras idades de 16 (dois deles) e 18 anos (o outro). Mas esse factor, em vez de revelar uma imaturidade pueril incapaz de se afirmar ao longo de um registo de longa duração, acabou por ser o seu maior trunfo, pois lançou-os numa aventura sonora com poucos pressupostos e permitiu-lhes rasgar uma fenda no rochedo pop-rock por onde se libertou uma aragem de frescura.

Dois anos e meio após esse feito inicial, o trio norte-americano revela um importante crescimento enquanto grupo e também nas matrizes primordiais da sua composição musical, fazendo de «Make Amends For We Are Merely Vessels» um significativo manifesto de evolução estética. Abandonando as multiplicadas referências tribais e botânicas do passado (ainda) recente, os Our Brother The Native apropriaram-se de um linguagem mais escura e adensada, feita de camadas espessas de guitarras e ruídos de electrónica, adornadas por samples e vozes que se confundem com a sulfúrica instrumentação.

Não só o domínio técnico exibido aqui é consideravelmente mais sustentado que em «Tooth & Claw», como também a texturização de cada canção, das mais longas (14 minutos) às mais curtas (seis minutos), revela um trabalho mais pormenorizado de atenção e minúcia, mantendo a natureza como centro espiritual em torno do qual se desprendem cornucópias de som, mas permitindo uma muito mais ampla liberdade a inúmeras pequenas sonoridades hipnóticas e um papel mais electrizante à manipulação das seis cordas que, quando acordadas dos momentos de quase sonambulismo, funcionam como o complemento energético que matiza a ideia de cavalgada alienada por terreno bravio.

Com «Make Amends For We Are Merely Vessels», os Our Brother The Native descolam da linhagem neo-folk dos Animal Collective, que parecia ser a sua principal referência inspiradora, e lançam-se sem receio numa expedição em busca do ponto mais distante do post-rock, feito do contraste marcado entre explosões ruidosamente avassaladoras e a buliçosa melancolia que remexe fundo no campo emocional e fornece o cenário ideal para que os espíritos aventureiros se deliciem com mais um interessante conjunto de enigmas por decifrar. Quem se atreve?

     
Temas   Rejoice
As They Fell Beneath Us
We Are The Living
Trees Part 1
Trees Part 2
Younger
Untitled
The Multitudes Are Dispersing
     
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