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Disco    
   

Grupo: Simon Breed
Título: The Smitten King Lament
Ano: 2008
Editora: Re.Action Recordings
Formato: CD

Em 1993, bem no seio de uma explosão criativa ocorrida em Londres, tendo Camden Town como epicentro e a problemática zona de King's Cross como fossa abissal, ao lado de gente como PJ Harvey, Faith Healers, Gallon Drunk, Jacob's Mouse, Mambo Taxi, Cornershop ou Huggy Bear, um trio denominado Breed apresentou o seu álbum de estreia, exibindo um conjunto notável de 9 canções que conseguiam a proeza de fundir numa unidade coerente a raiva incontida do punk e a mestria na elaboração lírico-melódica de histórias de violência emocional. Esse disco ficou sem descendência (apenas um single - «Wonderful Blade» - lhe sucedeu) e o trio dissolveu-se quase sem deixar rasto: o baixista Andrew Park saiu de cena, o baterista Steve Hewitt juntou-se aos Placebo para construir na sombra de Brian Molko uma carreira de sucesso e o guitarrista/compositor Simon Breed perdeu-se na obscuridade de uma indústria impiedosa para os não-alinhados, malgrado todo o esforço desenvolvido para encontrar uma editora capaz para as suas canções amarguradas.

Foram necessários esperar quase 15 anos para que Simon Breed fosse capaz de quebrar o silêncio editorial, quando em 2007 surgiu, através da Re.Action Records, um mini-álbum intitulado «The Filth And Wonder Of…», em que se constatou que o tempo ajudou a temperar a raiva do seu autor, mas preservando intactas e vibrantes a sua ironia e agonia interiores.

É esta a árvore genealógica de «The Smitten King Laments», o primeiro disco de longa-duração de Simon Breed a solo e o melhor modo para tentar descrever o seu conteúdo musical é usar o título do único álbum dos já referidos Breed: «Violent Sentimental»!

Nas 11 canções agora apresentadas, cujo ponto mais elevado é o candidato a clássico «I Spy the Spider», o compositor continua a revelar-se um excelente contador de histórias improváveis, carregadas de imagens quase grotescas e metáforas indecifráveis, mas atribuindo o peso exacto a cada palavra pronunciada, de tal forma que nada falta, mas também nada é excessivo. São frases intrigantes que proclamam com poesia eloquente autênticas crónicas figuradas do miserabilismo humano, pejadas de amargura obtusa e negro desânimo, que dão razão de ser à irregularidade harmónica das suas composições, por vezes cruas, frequentemente dissonantes.

Daí que toda a construção melódica esteja subjugada aos lamentos feitos palavras desapontadas, vertendo em sangue interior cada dedilhado da guitarra acústica, que Simon Breed usa como se um prolongamento do seu lápiz cinzento se tratasse. Todos os restantes pormenores instrumentais - e pormenores é a palavra que melhor descreve o papel subalterno dos escassos arranjos, submetidos à dominação da guitarra - surgem a espaços, ainda que brilhantes, fazendo vénia a cada história cantada pela voz grave e decidida de Breed, que o coloca ao lado de Bill Callahan, Nick Cave ou Scott Walker na arte de amplificar nas cordas vocais a intensidade dramática das frases projectadas.

Não sabemos quanto tempo vai durar o silêncio de Simon Breed após este «The Smitten King Laments». A espera pode ser longa e difícil... Se for esse o caso, estamos perante um disco que se eleva a um patamar quase mitológico, com uma nova aparição do seu autor a cada década e meia, e uma vida condenada ao obscuro quase-anonimato. Por precaução, o melhor mesmo é não o deixarem escapar desta vez!

     
Temas   1. Unhappy Fish
2. I Spy The Spider
3. Devastating Sky
4. Low Blood Sugar
5. The Golem And The Gentle Giant
6. The Smitten King's Lament
7. Pinhole In The Blanket
8. Snipes
9. No Wandering
10. Finish My Book
11. The Scorpion Regrets
     
Outros discos do mesmo artista / grupo   - The Filth And Wonder Of… | MCD | 2007
   
Artistas / grupos relacionados   - Breed
     
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