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Disco    
   

Grupo: Reigns
Título: The House on the Causeway
Ano: 2009
Editora: Monotreme Records
Formato: CD

Basta um pouco de pesquisa acerca dos Reigns para percebermos que todo o percurso anterior ao novo «The House On The Causeway» (o nosso ponto de contacto inicial com o projecto) sustenta com coerência aquilo que aqui podemos encontrar: um conjunto de ideias musicais estimulantes, com um uso irrepreensível do dicionário pop e, em boa medida, densamente povoadas por assombrações e mistérios.

Mais do que se assumirem como músicos, os dois estrategas dos Reigns chamam a si o papel de operacionais ao serviço de conjecturas esteticamente reveladoras de uma grande ebulição criativa, mas também desvendam uma vontade indómita de se furtarem a qualquer espécie de clichés criativos ou de intervenção cultural. É, em grande medida, devido a esta forma natural de trabalhar ideias e estruturá-las como um proposta estranhamente vaga, mas suficientemente fascinate e próxima, que a música que flui das movimentações dos operatives A & B (assim escondem as suas verdadeiras identidades) se assemelha a um denso nevoeiro de sons, no meio do qual somos capazes de, esporadicamente, identificar este ou aquele local, este ou aquele objecto, mas para cuja revelação maior se requer uma atitude de busca na proximidade e ainda de uma clara assunção de risco.

«The House On The Causeway» é um disco que pode começar por causar estranheza, tão grande a dispersão e singularidade de elementos que o vão povoando. Desde notas perdidas de piano, a ruídos de papel a ser rasgado, a vozes que surgem pouco concretas... tudo parece ter um lugar previamente pensado para desinstalar o ouvinte do seu conforto natural e o obrigar a buscar novos equilíbrios e novos conceitos de articulação de sons, que só quando devidamente acolhidos parecem conseguir reunir-se num todo com sentido, mantendo, mesmo assim, uma admirável capacidade de regeneração de novidade, a cada nova tentativa de compreensão empreendida.

Nesta exigência de repetição de experiências reside muito da contínua e inesgotável pertinência deste terceiro disco da dupla britânica, ombreando em fascínio com o disco de estreia dos Department Of Eagles, na sua reequação da música pop à luz de sons roubados ao acaso e a alguma pilhagem às expressões mais directamente assimiláveis da família editorial da Anticon. Um disco variado, dinâmico e sem prazo de validade pré-estabelecido!

     
Temas   1. (frontplate)
2. bad slate
3. everything beyond these walls has been razed
4. mirrors at night
5. crex, crex, crex
6. vaulted
7. mab crease
8. take it down
9. your tiny hand is frozen
10. the black cramp
11. (endplate)
     
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