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Disco    
   

Grupo: Fever Ray
Título: Fever Ray
Ano: 2009
Editora: Rabid Records
Formato: CD

Fever Ray é Karin Dreijer Andersson, figura enigmática que partilha com o seu irmão, Olof Dreijer, a ebulição obscura do duo the Knife, projecto imerso no uso intenso da electrónica como ferramenta de criação e cuja antipatia para com os media e hostilidade para com a indústria mainstream se tem revelado em diversos episódios ao longo da sua carreira.

Agora a solo, Karin Dreijer continua a divulgar fotos promocionais em que esconde o rosto atrás de máscaras macabras, percebendo-se a sua preferência por se manter longe dos holofotes, recusando protagonismo pessoal e deixando todo o espaço aberto para que seja apenas a sua música a conquistar admiradores.

Em «Fever Ray», Karin usa a mesma construção musical que associamos a the Knife, edificada por camadas de sintetizadores e outras sonoridades electrónicas, com ritmos espaçados e ambientes pesados, em que a sua voz mutante se transforma a cada novo tema, processada em mil e um efeitos que a destacam do equilíbrio tenebroso em que se movimenta. Mas o facto de não renegar a costela dos the Knife não significa que se limite a fazer uso das mesmas estratégias, pois a verdade é que deitando mão a materiais de base similar, Karin Dreijer consegue criar um lugar musical único para Fever Ray, simultaneamente perto e distante da sua genealogia.

A toada angustiante e crepuscular que atravessa todo o disco atribui-lhe o estatuto de peça única na actual electrónica, ao mesmo tempo que se apressa a avançar com novas definições de belo, saídas de equações em que o macabro e o negro se juntam em cantos dolentes mas, surpreendentemente, pacificados por um estado de suspensão espiritual que parece não ser deste mundo, etéreos como são os sons sintetizados que teimam em sublinhar a lenta vertigem desta audaciosa estética.

Entre o deslumbramento e a escuridão, Fever Ray propõe-nos, com esta estreia a solo, uma experiência complexa de abandono a territórios musicais pouco confortáveis, mas espantosamente apontada ao fascínio misterioso que o desconhecido exerce sobre os espíritos não-conformados com as certezas que já conquistaram, abrindo assim novos espaços de profunda materialização sonora de emoções incómodas, tocadas pela magia da autenticidade. Ou seja, para além de um disco, Karin Dreijer estende-nos no mesmo objecto um manifesto notável de liberdade artística e de esforço emocional, perante o qual não há lugar a indiferenças. Pelo nosso lado, só podemos agradecer-lhe o gesto!

     
Temas   1. If I Had A Heart
2. When I Grow Up
3. Dry And Dusty
4. Seven
5. Triangle Walks
6. Concrete Walls
7. Nows The Only Time I Know
8. I’m Not Done
9. Keep The Streets Empty For Me
10. Coconut
     
   
Artistas / grupos relacionados   - Knife, the
     
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