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Disco    
   

Grupo: Pigface
Título: 6
Ano: 2009
Editora: Full Effect Records
Formato: CD

Dos Pigface, sabem os aficionados, pode sempre esperar-se energia e excessos, bem como uma mudança significativa de cada disco para o seu sucessor. Ao ouvir-se «6», aquele que é admitido como sendo o seu último disco, cruzamo-nos novamente com exercícios de novidade, com descargas abastadas de adrenalina e com equações extremistas de ampliações sonoras, ainda que - e trata-se de uma surpresa - surjam aqui ligeiramente mais contidas.

A própria natureza do projecto liderado por Martin Atkins impulsiona a constante mudança e a produção musical espaçada no tempo, sendo este apenas o seu 6º álbum em praticamente 20 anos de movimentações de guerrilha artística. Atkins começou o seu percurso na bateria dos Public Image Ltd (o grupo que John Lydon criou depois do colapso dos Sex Pistols), tendo depois seguido viagem com os Killing Joke antes de se juntar definitivamente aos agitadores Ministry e Revolting Cocks, absorvendo dos seus companheiros de desordem as influências agora evidentes da música industrial e dando origem a vários outros projectos laterais, como os Murder Inc, os Damage Manual e os Pigface.

Se no primeiro caso foi apenas produzido um longa-duração e os Damage Manual acabaram por se tornar uma formação estável que permitiu a Atkins desenvolver com Chris Connelly a mais longa relação artística da sua carreira, já os Pigface nasceram da necessidade de preencher os hiatos surgidos nas actividades dos Ministry e de permitir uma saída para as suas ideias próprias - que não cabiam nas excentricidades excessivas daquele bando liderado por Alien Jourgenssen. Transformou-se assim na válvula de escape que Atkins encontrou para fazer explodir toda a sua sede de experimentar nos limites e de tentar a combinação das suas ideias com a de todos os outros que se situassem num quadro artístico semelhante.

Por isso é que Pigface é sinónimo de um grupo mutante cuja cadência editorial depende dos tempos mortos de Atkins - a contas também com a gestão da sua editora Invisible - e do tempo que consegue para o encontro com outros. Percebe-se assim que, sendo o conjunto de convidados significativamente diferente de disco para disco e com liberdade total para criar, a cada novo conjunto de temas corresponda um enquadramento musical diverso, mas sempre revisto e afinado pelo critério e talento do seu director criativo e personalidade agregadora. Com isto, ao longo dos tempos já assumiram a cabeça de porco uma lista interminável de nomes, que por si só quase que conta a história dos últimos 20 anos de música marginal e que incluem, só para citar alguns dos mais influentes, Algis Kizys (Foetus e Swans), Alex Paterson (Orb), Chris Vrenna (Nine Inch Nails), David Yow (Jesus Lizard), Duane Denison (Tomahawk), Jello Biafra (Dead Kennedys, Lard), Genesis P-Orridge (Throbbing Gristle, Psychic TV), Keith Levene (Clash, Public Image Ltd), Kevin Ogilvie (Skinny Puppy), Lesley Rankine (Silverfish, Ruby), Flea (Red Hot Chili Peppers), Michael Gira (Swans, Angels Of Light), Paul Barker (Ministry), Paul Ferguson (Killing Joke, Orb), Paul Raven (Killing Joke, Ministry), Trent Reznor (Nine Inch Nails), Bill Rieflin (Ministry, REM) e William Tucker (My Life With the Thrill Kill Kult, KMFDM).

Nesta sexta encarnação respondem por Pigface os nomes de Chris Connelly (o convidado mais frequente do projecto), Alexander Møklebust e Kim Ljung (Zeromancer), Charles Levi e Curse Mackey (My Life With The Thrill Kill Kult), En Esch, Hanin Elias (Atari Teenage Riot), Lee Fraser (Sheep On Drugs), Louis Svitek (Ministry), Mary Byker (Gaye Bikers On Acid), Noko (Luxuria, Buzzcocks, Apollo 440), e vários outros de menor impacto que se juntam a Martin Atkins.

«6» resulta desta amálgama de talentos e atitudes criativas extremadas, correspondendo à expectativa de quem sempre espera ser surpreendido e estimulada de um modo não conhecido, tornando-se um álbum arrepiante e revigorando o enquadramento actual da estafada música dita industrial, apontando-a às pistas de dança alternativas e dotando-a de uma familiaridade impensável com linguagens afectas ao hip-hop. Isto mesmo apesar de algum amaciamento sentido em alguns momentos da sua sequência vertiginosa de propostas imersas em arrojo, amplamente compensado pela rotação alucinada e vigorosa que se impõe durante a maior fatia de tempo.

Mais uma contribuição importante de Atkins e seus co-conspiradores para a memória colectiva da música urbana de tendência experimental.

     
Temas   1. Electric Knives Club
2. 6.6.7.11
3. Fight The Power
4. K.M.F.P.F.
5. Mercenary (SSL Beijing Mix)
6. Sanctify
7. I Hate You In Real Life Too
8. The Good, The Bad, The Druggly
9. Work To Come
10. Dulcimer
11. Up And Down
     
Outros discos do mesmo artista / grupo   - Welcome To Mexico...Asshole | CD | 1991
- Fook | CD | 1992
- Truth Will Out / Washingmachine Mouth | 2CD | 1993
- Notes From Thee Underground | CD | 1994
- A New High In Low | 2CD | 1998
- Easy Listening For Difficult Fuckheads | CD | 2002
   
Artistas / grupos relacionados   - Bill Rieflin
- Damage Manual
- Lard
- Ministry
- Murder Inc
- Nine Inch Nails
- Revolting Cocks
- Ruby
     
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