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Disco    
   

Grupo: Gilded Palace of Sin, the
Título: You Break Our Hearts, We'll Tear Yours Out
Ano: 2009
Editora: Central Control International
Formato: CD

«You Break Our Hearts, We'll Tear Yours Out» é, desde já, uma das estreias mais entusiasmantes do ano musical de 2009. Pertence ao trio britânico The Gilded Palace Of Sin (cujo nome foi, provavelmente, inspirado no primeiro álbum dos Flying Burrito Brothers), e revela uma rara aptência para, com linguagens diversificadas, catalizar em pepitas rock de elevado quilate um registo angustiante de emoções revoltosas e de decadência barroca, sempre com um forte componente meta-visual assente numa interessante evocação narrativa de silhuetas sombrias.

Pete Phytian, Vini Taylor e Michelle Lock, servem-se da instrumentação clássica do rock, mas acrescentam-lhe densidade, sedução e mistério, ao empunharem com militância estética artefactos de interpretação musical tão diversos como theremin, glockenspiel, ukelele, harpa, caixinha chinesa e alguns sons produzidos e processados em computador.

Na atmosfera assim construída com perícia cabem na perfeição as histórias que cantam, envoltas em roufenhas guitarras de ascendência blues, demoníacas descargas de energia, com arestas propositadamente deixadas por polir para preservar a sua efervescência e acidular a teatralidade trágica que se nos atravessa a garganta enquanto tentamos perceber o que se passa com os lamentos de «Rosa Salvaje», os desvios freudianos do possesso «Mean Old Jack», a fractura exposta aberta por «There Is No Evil, There Is No Good», a aparente exumação sacrílega de «Bones Of The Saints», o balanço descontrolado das vagas de «Nautilus», ou os rituais civilizacionais de «Vony and the Plynths» - possivelmente o momento do disco em que os Gilded Palace Of Sin mais se aproximam da perfeição, tal o delírio sónico que o envolve.

«You Break Our Hearts, We'll Tear Yours Out» é, para primeiro exemplo, uma excelente polaroid de um projecto em fase de afirmação, cuja inflexão rock de feições escuras e rugosas deixa pleno espaço para futuras ampliações de uma estética embebida num negrume que não é original, em absoluto, mas que irradia assim nítidos sinais de vitalidade.

     
Temas   1) For When We Forget
2) Rosa Salvaje
3) Mean Old Jack
4) Rubbing Up
5) There Is No Evil There Is No Good
6) Vony & The Plynths
7) Bones of the Saints
8) Wedding Rice
9) Nautilus
10) Home Because You’re Here
     
     
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