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Disco    
   

Grupo: Tenebrous Liar
Título: Jackknifed & Slaughtered
Ano: 2010
Editora: TV Records
Formato: CD

Não podemos esperar facilidades quando se trata de escutar os Tenebrous Liar, a costela sonora do importante fotógrafo musical Steve Gullick que transporta para os discos a mesma palete sombria e crua que capta com a lente da sua câmara. E é de emoções à flor da pele que «Jacknifed and Slaughtered» está asfixiado, criando quatro paredes sónicas que encarceram num espaço exíguo os lamentos enraivecidos da existência de Gullick.

Ainda que nos seja dado esperitar para aquele espaço fechado, mas apenas pelo pequeno buraco da fechadura, o que nos chega é uma fracção da angústia do músico no seu processo criativo, e do desconforto que isso lhe causa e em nós provoca. Estas viscerais descargas musicais dos Tenebrous Liar, que ecoam fundo a condição de desespero e sensação de desadequação que o grupo sente em relação à sua condição existencial, parecem ser o dispositivo afectivo de exorcização dos próprios males e, musicalmente, implode num conjunto de canções que exerce uma estranha atracção quando, em seu lugar, poderíamos esperar exactamente o efeito contrário.

Na nova secção rítmica dos Tenebrous Liar encontramos Brendan Casey a empunhar um baixo virulento que parece entranhar-se em cada canção como magma destruidor; e ainda Tom Glendining a atacar as peles com uma precisão demoníaca mas desprovida de artifícios acessórios. Neste confronto marcial joga-se parte importante do terceiro disco do projecto (quarto se aqui incluirmos a edição homónima, em 2006, de Tenebrous; quinto se contarmos com a edição em cassete de «No It's Not Comedy», também enquanto Tenebrous; sexto, se não nos esquecermos de «The Havering», de 2007, assinado por Tenebrous Mitchell) contribuindo largamente para a ampliação deste grito de revolta agoniada de quem sente, no seu íntimo, a dose de violência social equivalente ao esfaqueamento e massacre físicos. Claro que a isto há ainda que adicionar a esquizofrenia das guitarras de Gullick e Tony Ash, que colidem frequentemente na sua abordagem axialmente oposta, e a voz quase uivante do primeiro, intensificando o repto desesperado que, com ferocidade, percorre «Jacknifed and Slaughtered» do primeiro ao último segundo com a sua tonalidade vermelho-sangue.

Talvez por mostrar um pouco do que é a vida nos limites da sanidade, da desintegração e da violência - agitada até pelo próprio título do disco - «Jacknifed and Slaughtered» oferece um roteiro intenso para uma observação participante, mas sem riscos e efeitos secundários, no labirinto emocional gerado por vivências extremadas e sem rumo. E com isto, talvez possamos dizer que a vida sem os Tenebrous Liar seria um lugar ainda mais desconhecido. Não, não é fácil. Mas é fascinante...

     
Temas   1. Suffer You 3:43
2. Cut Down Your Love 3:04
3. No Guiding Light 2:39
4. Nothing to Say 2:16
5. Jackknifed & Slaughtered 6:29
6. Nothing Is Plenty 2:56
7. Freedom Reign 4:06
8. No Relief 5:21
9. A Different Tide 4:02
10. Is This How It Ends? 32:28
     
Outros discos do mesmo artista / grupo   - Tenebrous Liar | CD | 2007
- Pretender EP | CD | 2008
- Last Stand | CD | 2008
- No Guiding Light / Think I'm Coming Down | Digital | 2009
- Run Run Run | CD | 2011
   
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- Richard Warren
- Tenebrous
     
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