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Disco    
   

Grupo: Massive Attack
Título: Heligoland
Ano: 2010
Editora: Virgin
Formato: CD

«Heligoland» foi o modo impressionante que os Massive Attack escolheram para colocar um ponto final no silêncio editorial em longa-duração que durava há já sete anos (ignorando a banda sonora de «Danny The Dog»), desde que «100th Window» havia enclausurado hermeticamente a música do colectivo na criatividade de apenas um dos seus membros, 3D, e criado um monumento claustrofóbico à arte de sobrepor infinitas camadas sonoras e dessa texturização extrair em essência uma melancolia desesperada e em colapso psicótico.

Neste novo disco há de novo a presença negra de Daddy G e, com ele, um ligeiro desanuviar da negritude que perpassava todo o seu disco anterior, e também a abertura de respiradouros por onde se desprende um certo gesticular de alívio pela pressão diminuida que o regresso de elementos agrilhoados ao reggae, ao dub e à soul consigo trouxe.

Sendo um disco muito menos complexo que «100th Window», nem por isso «Heligoland» é menos labiríntico no conjunto de dilemas e trilhos em que envolve cada mantra texturado que constitui a base de cada uma das 10 canções novas que aqui apresenta. Os enigmas continuam tão assertivos como sempre, apenas exibindo um pouco mais de luz, como se em vez da clausura de quatro paredes, os Massive Attack estivessem agora a desenhar labirintos, tal como antes, mas usando altas e espessas sebes ao ar livre para separar os trilhos.

Ainda assim, momentos há em que a rarefação do ar em torno dos sons assim construídos é tão impressionante que parece asfixiar-nos glaciarmente; ou então o simulacro de embalo em câmara-lenta disfarça, por entre a insinuação de doçuras, uma insidiosa capacidade implosiva que derruba qualquer possibilidade de comparação com outras entidades musicais vivas.

Tal como noutros registos, boa parte das despesas vocais é assegurada por um desfile de nomes insuspeitos, que garantem uma dinâmica e variedadade a um bloco sonoro que aposta tudo numa consistência criativa mas que deixa espaço suficinte para que os aportes dos convidados sejam simultâneamente autónomos e radicados numa ideia de simbiose muito poco vulgar. É por isso que não estranhamos que aos habituais Martina Topley-Bird (Tricky) e Horace Andy se juntem agora Tunde Adebimpe (TV On The Radio), Hope Sandoval (Mazzy Star, Hope Sandoval & The Warm Inventions), Guy Garvey (Elbow) e Damon Albarn (Blur, Gorillaz) e que este corropio de inflexões e timbres vocais resulte numa unidade coerente que não quebra o fio que percorre o disco do primeiro ao último momento.

Não sendo, eventualmente, tão pioneiros e exploradores como o foram antes, num percurso que terminou com o sublime e irrepreensivel «Mezzanine», os Massive Attack assinam em «Heligoland» mais um punhado de momentos geniais, evidenciando que o seu normalmente lento processo criativo parece fazer da experimentação e da maturação de ideias uma cartada primordial na busca de desafios artísticos invariavelmente estimulantes.

     
Temas   1. Pray for Rain (vocals: Tunde Adebimpe) 6:43
2. Babel (vocals: Martina Topley-Bird) 5:17
3. Splitting the Atom (vocals: Grant Marshall, Horace Andy and Robert Del Naja) 5:18
4. Girl I Love You (vocals: Horace Andy) 5:22
5. Psyche (vocals: Martina Topley-Bird) 3:22
6. Flat of the Blade (vocals: Guy Garvey) 5:29
7. Paradise Circus (vocals: Hope Sandoval) 4:57
8. Rush Minute (vocals: Robert Del Naja) 4:48
9. Saturday Come Slow (vocals: Damon Albarn) 3:29
10. Atlas Air (vocals: Robert Del Naja) 7:37
     
Outros discos do mesmo artista / grupo   - Mezzanine [Limited] | CD | 1998
- 100th Window | CD | 2003
- Collected [CD + Dual Disc] | CD+DVD | 2006
- The Spoils EP | Digital | 2016
- Ritual Spirit EP | Digital | 2016
   
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- Tricky
     
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