A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z | 0-9
Disco    
   

Grupo: Gonjasufi
Título: MU.ZZ.LE
Ano: 2012
Editora: Warp
Formato: Digital

Gonjasufi deixou de ser um desconhecido professor de ioga e DJ quando, em 2010, fez de «A Sufi and a Killer», o seu disco de estreia, um manifesto psicadélico que buscava traçar a bissectriz entre a compulsão para o mal e a obrigação da busca de um estado espiritual transcendente que ajude a temperar essa tendência malévola. Em «MU.ZZ.LE», o novo mini-álbum que soa magnífico, mas por menos de 25 minutos, essa busca de temperança acentua-se, resultando num exercício conciso de busca espiritual para fazer face à agressão mundana.

Não é à toa que Sumach Ecks, filho de uma mexicana e de um etíope, fez questão de deixar entrar o sufismo no nome do seu projecto musical. Porque há muito de profundo e de busca da transcendência purificadora na sua música, imersa numa espécie de filosofia oriental, com seus motivos e aromas, mas recolocados no centro do turbilhão urbano oriental.

E com esse contexto, a música de Gonjasufi soa a uma intensa busca de alienação, com doses abastadas de ecos, reverberações e distorções nos ritmos e vozes, parecendo cruzar, num cenário de claustrofobia opressiva, a busca da elevação asiática e o apego mortificante às coisas mundanas. Como se a Ásia, a África e a Jamaica se concentrassem numa metrópole norte-americana e Ecks transformasse em música rock psicadélica a descrição desse confronto religioso e cultural.

Por isso não se estranha que o que aqui se ouve tanto deva à matriz rítmica do hip-hop, como à inversão sincopada do dub, como ainda ao psicadelismo quimicamente induzido, deixando que uma espécie de mantra percorra cada um dos curtos fragmentos propostos em «MU.ZZ.LE». Ou seja, Gonjasufi propõe uma música cosmopolita de aspiração espiritual mas nunca o faz de um modo evidente, preferindo reduzir cada micro partícula ao mínimo essencial para se poder radicar a sua ascendência. Com isso foi capaz de fazer um disco que, apesar de curtíssimo, consegue ser muito maior do que a sua própria duração, viciando do primeiro ao último segundo e arrastando o ouvinte para um estado de hipnose permanente, uns bons metros acima do chão.

     
Temas   01 - White Picket Fence
02 - Feedin’ Birds
03 - Nikels and Dimes
04 - Rubberband
05 - Venom
06 - Timeout
07 - Skin
08 - The Blame
09 - Blaksuit
10 - Sniffin’
     
Outros discos do mesmo artista / grupo   - A Sufi And A Killer | Digital | 2010
- Callus | Digital | 2016
- Mandela Effect | Digital | 2017
     
www.rum.pt www.sensoria.pt