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Disco    
   

Grupo: Membranes
Título: Dark Matter / Dark Energy
Ano: 2015
Editora: Cherry Red
Formato: Digital

Os Membranes nunca foram um grupo pós-punk normal, com a sua radicalidade extremada e energia caótica organizada em torno de uma certa literacia libertária do seu líder John Robb. Ao mesmo tempo que a sua música, organizada em torno do baixo, foi capaz de escapar ao colete de forças que a teia urbano-depressiva urdiu em torno de muitos dos projectos saídos da ressaca do no future e de abrir horizontes onde muitos se encarceraram numa certa claustrofobia estética.

Com este historial de não-conformidade, o seu regresso não poderia ser feito de um modo convencional. E a verdade é que «Dark Matter/Dark Energy» é tudo menos o tradicional comeback-record dos grandes nomes de culto do passado em busca da popularidade que então lhes fugiu, pois revela uma clarividência notável acerca do lugar que a música alimentada pela tradicional tríplice guitarra-baixo-bateria pode e deve ocupar no século XXI. Isto é, o regresso dos Membranes aos álbuns 25 anos depois do anterior não toma como ponto de partida nem o seu estado de maturação criativa no momento em que se deu a ruptura, nem o ambiente musical e social que se vivia na altura. E por isso não é, de todo, um álbum feito de revivalismo, de uma busca de um passado que deixou marca e que se quer reviver. Pelo contrário! Este é um disco que parte do aqui e agora estético, do momento actual da música rock, e se apressa a apresentar, com uma urgência visceral, todas as interrogações que assaltam o homem em busca de si mesmo e do seu lugar num universo falho em explicaçõs, mesmo com todas as revelações científicas sobre o micro e o macro-cosmos.

Ao escolher regressar, os Membranes decidiram ser o que sempre foram: uma voz dissonante e um colectivo musical relevante, fugindo da mediania e da indiferença. E com «Dark Matter/Dark Energy» não só o conseguem, como trazem uma renovada vitalidade e capacidade inflamante de usar o ruído com inteligência. E, principalmente, continuam a fazer música brilhante!

     
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