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Disco    
   

Grupo: Molnbär av John
Título: The End
Ano: 2016
Editora: Flau
Formato: Digital

John Henriksson começou por conhecer alguma notoriedade quando, em 2011, compôs e produziu, juntamente com Momus, o álbum «Thunderclown», no qual se percebeu que tinha um gosto particular por ambientes vintage, empoeirados.

Antes, em 2009, tinha apenas editado um 7", com dois temas, escondendo-se atrás do nome Molnbär Av John, intitulado «I Wish I Could Draw Your Nose». Seguiu-se um segundo 7", dois anos depois, este já com seis temas, designado «Thundersketches».

A relevância desta reconstrução do percurso de um artista obscuro, mas singular, prende-se com a edição do novo «The End» que - não sabemos se ironicamente se enquanto declaração de intenções - foi o título escolhido para o seu primeiro longa-duração. Nele encontramos todo o material gravado naqueles dois 7", acrescido de 13 outras pequenas composições.

A música que aqui encontramos resulta, por inteiro, da reconstrução de ambientes que reflectem uma certa degradação chic, elaborados integralmente a partir de fragmentos de samples recolhidos de discos de vinil há muito esquecidos, vagueando entre o romantismo dos musicais dos anos '50, o jazz de cabaret das décadas anteriores e o easy-listening das orquestras de charme. A estas pequenas unidades sonoras, muitas vezes deixadas em loop, Henriksson adiciona o crepitar típico da agulha a percorrer o plástico preto ou o hiss característico das cassetes de fita magnética, permitindo que o ouvinte espreite para tempos idos mas, propositadamente, nunca o deixando esquecer que este exercício de olhar pelo retrovisor e reviver cenas e ambientes típicos do passado é enformado pelas tecnologias musicais do presente. Deste modo, pressente-se por todo lado uma espécie de decadência chique e sedutora, amarelecida pelo tempo, cuja cadência calma e quase ausência de marcações rítmicas envolvem as recordações num manto de nuvens translúcidas, que desfocam a realidade, tal como anteriormente vivida, e lhe dão um novo olhar e uma banda-sonora específica.

E, assim, «The End» parece ser um disco de sempre, destinado a ser para sempre.

     
   
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