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Disco    
   

Grupo: Cakewalk
Título: Ishihara
Ano: 2017
Editora: Hubro
Formato: Digital

A música que encontramos no terceiro álbum do trio norueguês Cakewalk faz juz ao mote que a inspirou, retirado da frase que encerra «Nadja», do escritor Andre Breton: "A beleza será convulsiva ou não será".

De facto, todo o ambiente criado em «Ishihara» sofre de uma convulsão permanente, de uma agitação intrínseca que estimula o movimento e acelera o batimento cardíaco, tornando imprevisível o momento que se segue. É um disco tocado por uma deambulação constante entre o ir e o vir, a contração e a distensão, numa dialética rítmica e instrumental que revela uma ligação íntima à pulsão disforme da existência, em constantes vagas melódicas que se conjugam, mas que também se atropelam na urgência de ganhar significado.

A cada nova vaga, percebe-se que cada tema de «Ishihara» encerra em si mesmo uma míriade de pequenos ciclos, geridos a tempos diferentes, que atacam à vez diferentes estados de espírito e desenham esculturas de ruído por entre massivos blocos de inspiração áudio, soltando em simultâneo farrapos de memórias e de visões futuras, que são servidas por uma amálgama granulada de sedimentos de pós-rock, clássica, jazz, noise, ou música improvisada.

No final, este disco novo dos Cakewalk inscreve-se, por direito próprio, naquele cantinho destinado a guardar as memórias mais relevantes das experiências de fruição musical em estado cru, cuja beleza e brutalidade são, em simultâneo, as impressões mais vivas que sobreviverão ao passar do tempo.

     
     
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