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Disco    
   

Grupo: Mount Eerie
Título: A Crow Looked At Me
Ano: 2017
Editora: P.W. Elverum & Sun
Formato: Digital

É um grande mistério o fascínio incontrolável exercido por um disco que esteve para se chamar «Death Is Real» e que vive, essencialmente, a partir de uma voz frágil e de uma guitarra acústica em eminente implosão.

Mas é disso que se trata quando falamos de «A Crow Looked At Me», confessionário de Phil Elverum, o homem que se esconde por detrás de Mount Eerie, e que, cruamente, expõe aquilo que sempre se esfoçou por preservar em tempos de hiper-partilha do privado: a sua vida familiar.

As razões para tão grande mudança devem-se ao desaparecimento da sua mulher, perdida na sempre ingória luta com uma doença oncológica. Momento que lhe roubou qualquer sentimento de pertença e o levaram a considerar o seu património interior como propriedade pública, de todos quantos a dor trespassou. Como se a sua transformação em canções do domínio público pudessem ser uma forma de alívio dessa realidade inescapável que é a morte e a perda.

E «A Crow Looked At Me» é o eco de todo este deambular solitário pelo interior de quem assumiu tarefas de cuidador e, depois, de náufrago da dor e resolveu fazer disso um conjunto de canções honestas, cruas e transparentes, sem adornos desajustados nem excessos que lhes roubem o silêncio e solidão constituintes, nem manifestem o desejo de ser outra coisa que não o espelho interior de alguém que escolheu sobreviver a tudo isso. Por isso é um disco de carne e osso, duro e realista, mas ao mesmo tempo com a beleza que a verdade lhe dá. Uma verdade que dói, é certo, mas que, lá está, constrói um disco com um fascínio incontrolável, feito essencialmente de uma voz, de uma guitarra e de uma vida que escolheu, por uma vez, não se esconder.

     
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