A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z | 0-9
Disco    
   

Grupo: Ride
Título: Weather Diaries
Ano: 2017
Editora: Wichita
Formato: Digital

21 anos depois de «Tarantula», o disco que marca o regresso dos Ride consegue fugir à desilusão que, quase sempre, acompanha este tipo de reuniões, e deixar uma marca muito própria numa discografia que, iniciada em 1989, vai apenas no seu quinto exemplar em longa-duração.

Desde logo porque, sem qualquer sombra de dúvida, «Weather Diaries» é muito melhor do que o já referido «Tarantula», mas também do disco que o precedeu, «Carnival of Light», registos bastante amorfos e muito distantes da inspiração e energia caleidoscópicas dos dois excelentes tomos inaugurais da sua obra, «Nowhere» e «Going Blank Again». Eram, aliás, um sinal claro da divergência que viria a ditar o fim da primeira vida dos Ride, inicialmente feita de uma vitalidade entusiasmante, mas que terminou com um grupo transformado num pálido fantasma de si próprio.

Em «Weather Diaries» encontramos um disco novo! Não apenas mais um, ditado por uma qualquer necessidade de regresso, normalmente com resultados penosos. Mas um disco que redefine a personalidade de um grupo que, não renegando um passado no qual pode encontrar imensos motivos de orgulho, procura explorar novas vias para a sua criatividade, mostrando que os seus membros de sempre souberam absorver do melhor modo tudo aquilo que musicalmente se foi passando durante o período em que suspenderam actividade conjunta.

Claro que há traços de identidade que não se perderam, e ainda bem! Há um refinamento dos jogos de vozes que tanto entusiasmaram no início da sua carreira. E também um apuro das harmonias que estendem o pano por onde as vozes e as guitarras se entregam a um jogo de gato-e-rato. Para além disso ainda sabem fazer do ruído do feedback, devidamente controlado, as escarpas afiadas de canções delicodoces que se ocultam na espessura do muro assim erguido. Talvez seja a produção de Erol Alkan, também DJ, a trazer esse ar de frescura que revitaliza a roupagem de canções sólidas, com marcas firmes na voz de Mark Gardener e na guitarra de Andy Bell. Mas também a vontade de alargar o campo de experimentação, em combates ferozes de crueza e doçura, de harmonias e coros em jogos dissonantes, de ritmos que, aqui e ali, parecem embater de frente com o apelo à suavidade de tudo o resto, excepto os ruídos eléctricos dos pedais em série, que eregem novas sonoridades.

Sem ser perfeito, «Weather Diaries» é um disco que demonstra que podemos ainda contar com os Ride para nos divertir com canções de recorte estimulante (ouça-se «Charm Assault», «Rocket Silver Symphony», «Lateral Alice» ou «Impermanence», por exemplo) e para desmentir a teoria de que os regressos após longos hiatos servem apenas para que se assista a gente respeitável a arrastar o seu cadáver. No caso presente podemos ser taxativos: Eles vivem!

     
Outros discos do mesmo artista / grupo   - Ride EP | CDS | 1989
- Play EP | CDS | 1990
- Nowhere | CD | 1990
- Today Forever EP | CDS | 1991
- Going Blank Again | CD | 1992
- Carnival Of Light | CD | 1994
- Tarantula | CD | 1996
- OX4 | 3CD | 2001
- Tomorrow`s Shore EP | Digital | 2018
   
Artistas / grupos relacionados   - Hurricane #1
     
www.rum.pt www.sensoria.pt