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Disco    
   

Grupo: Erland Dahlen
Título: Clocks
Ano: 2017
Editora: Hubro
Formato: Digital

É impressionante percebermos como é em torno do som da bateria, e do constante patchwork rítmico que lá se vai fabricando, que gira toda a dinâmica do notável terceiro álbum do percussionista norueguês Erland Dahlen.

Depois há toda uma panóplia de instrumentos - acústicos, eléctricos e electrónicos - que concorrem para a trama que é laboriosamente tecida em cima dos ritmos, precisos, ondulantes e firmes, trazendo espessura, melodia e inspiração cósmica a cada um dos seis temas que constituem «Clocks». E é esta colaboração permanente entre diversas texturas e sons que constrói o fio condutor do disco, porque a variedade de abordagens é grande e os estados de espírito induzidos também, numa enorme abrangência de dinâmicas.

Com todos estes elementos, «Clocks» acaba por ser um disco radicalmente narrativo, com uma linguagem que se pode afirmar como cinemática, dado o vasto conjunto de personagens e vultos que sugere na sua simbiose muito particular entre instrumentos de génese diversa, mas que se percebe serem os companheiros ideais para as matrizes rítmicas de que o músico, por virtude e não por deformação, quer vincar como o elemento primordial do seu discionário musical muito próprio.

É um disco de um baterista e percussionista, mas está, notavelmente, a anos-luz de ser um disco de bateria e percussão. É, isso sim, um trabalho completo, de um compositor que sabe ser surpreendente e de um instrumentista que, sozinho, sabe ser mais competente e dinâmico do que muitos colectivos musicais.

     
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