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Disco    
   

Grupo: Bad Stream
Título: Bad Stream
Ano: 2018
Editora: Antime
Formato: Digital

A estreia de Bad Stream, o projeto pessoal do alemão Martin Steer, só poderia ter a sua génese na multiplicidade de estímulos digitais e no vórtice temporal desta era de ciberespaço liberal, em que a velocidade asfixiante de inputs informativos criam uma vontade quase-mórbida de mergulhar a fundo, e com adesão acrítica, para a fenda desconhecida que se abre à nossa frente.

É do emaranhado de informações cruzadas, fake news, diluição do público e do privado e da solidão sentida bem no centro do furacão de bits e bytes que «Bad Stream» se alimenta, manipulando os sentidos a fundo, de modo enebriante, a partir de conjunções e disjunções de guitarras industriais e maquinaria digital, preenchendo vazios e criando novos vácuos. É uma música que nos sorve as emoções de modo vertiginoso, aspirando-as a fundo para criar uma densa alienação e uma cósmica solidão, mesmo se rodeados de fluxos contínuos e intermináveis, mas ao mesmo tempo multiformes e cruzados em complexas redes 3D, que não dão espaço para respirar.

É deste ar digital rarefeito, criador de isolamento, que Steer deita mão para fazer um disco que bebe inspiração do caos apocalítico dos Nine Inch Nails e da digitalia da indietrónica, cruzando-os com texturas de ruídos diversos, longas repetições de motivos ambientais e a permanência gravitacional de drones espessos. Tudo isto para que «Bad Stream» seja mesmo a banda sonora que descreve na perfeição o dia-a-dia dos atuais ambientes urbanos e a confusão profusa e sem-fios das teias civilizacionais em que nos deixamos enredar, apáticos. É, por isso, em simultâneo, um produto dos tempos que correm e um poderoso alerta para a sua desorientação fragmentária. E um disco fabuloso!

     
     
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