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Disco    
   

Grupo: Les Georges Leningrad
Título: Sur Les Traces de Black Eskimo
Ano: 2005
Editora: TomLab
Formato: CD

A crueza e a energia são os principais combustíveis da incendiária proposta musical dos canadianos Les Georges Leningrad que, ao segundo álbum, conseguem marcar a diferença e afirmar uma posição credível no seio da actualização, que ultimamente se tem feito, do contexto sonoro que caracterizou o período pós-punk!

Les Georges Leningrad vão directos ao assunto, descarregando energia em estado bruto e sem quaisquer preocupações de adorno supérfulo. A sua música é uma afirmação de atitude provocatória, capaz de originar reacções intensas e eventualmente adversas. Em «Sur Les Traces de Black Esquimo» vão mais fundo na exploração de catáreses que tinha sido iniciada com «Deux Hot Dogs Moutarde Choux», há dois anos. Agora conseguem ser ainda mais intensos na forma exagerada como arrastam ao limite as dissonâncias vocais, entre a feminilidade à beira do colapso nervoso de Poney P. e os gritos diabólicos de Mingo L'Indien e Bobo Boutin. Conseguem, de igual modo, esticar as cordas da guitarra a um tal nível de estridência aguda que ficam no limiar auditivo da dor. A parafernália electrónica é usada para dar um toque de actualidade e sofisticação a uma música tribal, primária e directa, armando ciladas a quem vislumbra apenas facilidades e falta de virtuosismo técnico. Finalmente, a forma como os ritmos são arremessados para a argamassa sonora assim edificada deixam-nos a pensar para que raio no dicionário existe a palavra harmonia! E porque razão desconhecida não conseguimos parar de nos mexer!

A verdade é que a harmonia existe, no meio do caos semeado pelos Les Georges Leningrad. Refeitos do choque inicial de estarmos perante algo que nos confronta seriamente e põe em causa algumas das certezas relativamente à definição de música, começamos a perceber a lógica não alinhada deste trio, assente na descomplexada atitude de atingir o ouvinte na face de um modo tal que o coloque na posição de um investigador, tentado a descobrir a origem de uma nova e estranha forma de vida e a perceber a total ausência de previsibilidade das suas manifestações.

«Deux Hot Dogs Moutarde Choux» é, assim, um disco eventualmente pouco acessível, que se move nos extremos da estranheza, mas que aponta caminhos de saída para a linhagem neo-punk e consegue adicionar mais um interessante capítulo ao compêndio musical do controlo do ruído e sua transformação em algo musicalmente organizado. Um livro que tem vindo a ser escrito por algumas das mais respeitáveis figuras das últimas gerações de músicos pop-rock...

     
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