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Disco    
   

Grupo: Bender
Título: Bender
Ano: 2005
Editora: TV Records
Formato: CD

Os Bender são um projecto marginal - a todos os níveis - que reúne James Johnston (desde sempre líder dos Gallon Drunk e, desde a saída de Blixa Bargeld, membro a tempo inteiro dos Bad Seeds), Steve Gullick (fotógrafo, fundador das revistas 'Careless Talk Costs Lives' e, recentemente, 'Loose Lips Sink Ships') e Geraldine Swayne (mulher de Johnston, pintora, realizadora cinematográfica, criadora de abelhas e colaboradora em alguns discos dos Gallon Drunk). Com este elenco, não espanta que estejamos perante uma obra de autor, com tudo o que isso significa: com poucos meios, mas apaixonada, arriscada, poética, afirmativa, experimental e, porque não, brilhante!

Apostando numa proposta arrojada que funda a sua existência numa espécie estranha de folk, algo que, do lado de lá do atlântico, se tem vindo a chamar de «new weird america», mas que neste caso expande os seus limites de actuação e de imaginário, os Bender não têm medo do arrojo e conseguiram interligar - de um modo estranho, sensual e íntimo - a sua vertiginosa sedução pela insónia e pelo lado negro da noite, com a incontrolável sensação desesperada de quem comete inconfidências à pessoa errada, incapaz de a acolher e compreender. E a incompreensão é o provável risco que correm os incautos na audição deste disco. A sua falta de adornos imediatamente perceptíveis, manifestados numa crueza de procedimentos que mais não fazem do que revelar a sua mais íntima essência, pode impedir a correcta assimilação dos arrojados traços musicais aqui contidos.

Se formos capazes de ouvir além, percebemos intenções perdidas e mais tarde remidas, momentos de total liberdade , reflectidos em recortes fragmentários de elaborações melódicas emocionalmente complexas - ainda que sem o recurso à técnica enquanto apologia das maravilhas da ciência aplicada à não-arte de fazer música nos dias que correm - rearranjados em jeito de patchwork sensível, visceral, desejante. A ausência é aqui uma quase-presença íntima, transformada num formato canção não padronizável e não qualificável, enquanto objecto repelente de rótulos, mas cuja proximidade ao círculo mais fechado do auto-conhecimento o transforma num caso de paixão arrebatadora, ainda que solitária.

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